BIM, a nova metodologia que está mudando o setor da construção

As palavras-chave do BIM (Building Information Modeling – Modelagem de Informação da Construção) são: Colaboração e Transparência. Este modelo está revolucionando o setor da construção. Indo além de apenas uma plataforma digital, o BIM representa uma nova forma de projetar, pois facilita muito a comunicação e colaboração entre as diferentes disciplinas (Hidrossanitário, Elétrico, Mecânico, Estrutural e Arquitetônico), trazendo novos desafios à indústria da construção e colocando em destaque a palavra Interoperabilidade.

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Para facilitar o conceito de interoperabilidade, uma analogia ajuda bastante:

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Imagine um alemão e um francês tentando se comunicar. Existe a possibilidade de um dos dois aprender o idioma do outro e dessa forma conseguirem conversar ou ambos aprenderem um idioma universal, como o inglês, dividindo muito o esforço e tempo e ainda possibilitando a comunicação com uma gama maior de culturas.

Da mesma forma a interoperabilidade é o que permite que softwares de diferentes fabricantes possam se comunicar, utilizando uma linguagem comum e aberta. Ainda com a analogia, temos que saber também que o nível da conversa entre os indivíduos fica nivelada pelo falante mais iniciante do idioma.

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José Carlos Lino, professor da Universidade do Minho em Portugal, diretor da Zigurat Institute onde forma especialistas em BIM, afirma: “Com o BIM, o trabalho colaborativo surge quase inevitavelmente”. As vantagens são evidentes: “Fazer um modelo em computador sai muito mais barato. Muitas vezes, as obras não são previamente pensadas, o que dá origem a desvios, surpresas e incompatibilidades que a utilização do modelo BIM vem para evitar o máximo possível.”

Como se trata de uma modelagem digital, partilhada em plataformas das quais os arquitetos, engenheiros e construtores podem ter acesso de acordo com sua função previamente especificada, os erros tornam-se mais simples de evitar. Exemplo:

“Se um engenheiro de estruturas inserir um pilar no local onde um arquiteto precisa inserir uma porta ou janela ou manter um vão livre, pode haver comunicação entre os dois em tempo real, pois ambos estão partilhando esta visão comum do projeto.”

Na união europeia, o BIM coexiste em diferentes velocidades de desenvolvimento e adoção desta nova metodologia de trabalho. No caso do Reino Unido, já existe a obrigação de utilização do BIM no setor público desde 2016. Este caráter exemplar do país levou a Comissão de Normalização Européia a seguir alguns dos manuais e normas BIM do Reino Unido.

De acordo com Antônio Aguiar Costa, coordenador do relatório BIM e a Digitalização da Construção e das Infraestruturas de Portugal, para ser eficaz, a metodologia BIM precisa ser transversal e envolver toda a fileira da construção, incluindo o cliente.

‘O dono de uma obra, que vai investir um valor significativo, não se pode dar ao luxo de não ter um modelo de informação que controle convenientemente o que será construído. Estes modelos ficam disponíveis para a fase de gestão e manutenção – seja um centro comercial, um edifício residencial ou até mesmo um hospital e continuam recebendo informação de forma constante até a conclusão total do edifício, ” conforme o professor José Carlos Lino.

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Com o passar do tempo, a metodologia BIM se tornará inevitável, por todas as implicações que tem, por exemplo ao nível da exportação. Muitos concursos importantes, nacionais e internacionais já requerem que a candidatura seja feita em BIM. Construtoras e empresas de serviços, como fornecedores de materiais, componentes elétrico, hidráulicos, mecânicos e mobiliários por exemplo, já fornecem seus objetos de forma digital com informações reais de resistência do material, medidas e cores definidas conforme o modelo, além de valores com a moeda local, para assim facilitar o trabalho dos arquitetos e engenheiros durante o processo de modelagem e levantamento de quantitativo, tendo enormes ganhos de produtividade para todas as partes envolvidas. “São vários os estudos de consultores internacionais que identificam margens de redução de custos na ordem dos 20%, o que é significativo em investimentos de milhões de reais”.

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30 de Maio de 2019