Design Generativo: o futuro da arquitetura

“O design generativo envolve utilizar o poder da computação para explorar milhares de opções e design de projeto.”

No último evento do Autodesk University, que ocorreu em Las Vegas em 2018, foram apresentados como destaques: a impressão 3D em escala industrial, o design robótico, a realidade virtual aumentada e os avanços inteligentes do BIM, proporcionando um vislumbre tentador de como a arquitetura e a tecnologia serão ainda mais integradas em um futuro nem um pouco distante.

A estrela do evento, não foi um único hardware, uma versão atualizada do CAD ou uma ferramenta de fluxo de trabalho mais eficiente. Foi o conceito fundamental, conhecido agora como Design Generativo. Seguindo a base das estruturas de design evolucionário encontrado na natureza, o design generativo tem o potencial de alterar o ambiente construído além do reconhecimento e, os líderes da tecnologia estão mais empolgados do que nunca.

O design generativo consegue responder a perguntas como: “que forma de estrutura geraria a ponte mais eficiente entre duas colunas?” ou “qual é a laje mais fina possível para vencer esse vão?”.

O evento também ilustrou problemas mais complexos que podem agora ser explorados, como os desafios arquitetônicos relativos às condições de conforto e programa de necessidades. Em um dos exemplos no evento, mostrava um modelo em escala, de um hospital, onde diferentes parâmetros para o fluxo desejado de pessoas, condições de luz, temperatura e até atmosfera poderiam ser introduzidos, produzindo milhares de layouts possíveis para cada ala do hospital. Esse tipo de software ilumina o potencial de design generativo para ajudar a resolver problemas muito além das preocupações de forma e estrutura.

Combinar essa tecnologia com os avanços da impressora 3D em escala industrial e arquitetônica, tem o potencial de alterar fundamentalmente a maneira como pensamos sobre a arquitetura. Em vez de projetar envelopes de edifícios compostos de camadas separadas para aquecimento, ventilação, ganho solar passivo e outras necessidades, seria possível explicar dentro de uma “pele” complexa que possui qualidades que imitam os organismos biológicos.

As possibilidades são surpreendentes. Água e gás poderiam fluir através de “veias” feitas pelo homem, integradas nas paredes tornando as tubulações uma coisa do passado. Os dados solares podem gerar janelas transformáveis que permitem que a luz entre nos interiores precisamente nos momentos certos, conforme a necessidade dos habitantes e com isso as persianas seriam banidas para sempre. A estrutura interna dos elementos de fibra de metal e carbono será otimizada como ossos de animais, permitindo espaços ainda maiores sem colunas, escadas estreitas e as estruturas em cantilevers (estrutura em balanço) mais dramáticos já criados.

Os arquitetos há muito tempo se preocupam com as qualidades estéticas do design paramétrico. Zaha Hadid e Patrick Schumacher, pioneiros do gênero, foram elogiados e criticados por implementarem formas fluidas e amorfas em todas as tipologias, enquanto algumas empresas investigaram a construção robótica que teoricamente aproveitaria os dados de maneira semelhante, maximizando a eficiência estrutural e acelerando de forma significativa o processo de projeto e construção.

Por fim, o design generativo apresentado pela Autodesk mostra que o trabalho dessas práticas experimentais é apenas a ponta do iceberg de quando se trata de design orientado por dados. Resta saber agora, como o software e o hardware se desenvolvem à luz desses avanços, porém uma coisa ficou clara – tanto o projeto arquitetônico quanto o processo de construção começarão a parecer bem diferentes do que estamos acostumados, já que a computação desempenha um papel cada vez maior na indústria da construção.

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Artigo por Henrique Franco

Por Tendências

05 de Agosto de 2019